sexta-feira, 23 de junho de 2017

Tecnologia permitiu parceria entre Sabotage, morto em 2003, e RZO. Ouça


Enquanto esteve vivo, Sabotage conquistou reconhecimento por ser um dos rappers mais inventivos e importantes do Brasil. O legado do artista, que teve um disco de inéditas lançado neste ano, continua forte. Pelo menos para os fãs, ele permanece vivo. E criando%u2026 Uma parceria com o grupo RZO, possibilitada por inteligência artificial, reacende a verve de Sabotage e mostra o que o rapper, assassinado em 2003, escreveria se ainda estivesse aqui.

Para tornar possível a criação, um projeto uniu Spotify, a empresa de inteligência artificial Kunumi, o grupo RZO e o selo Instituto. É difícil imaginar que uma música possa ser composta por um artista que já morreu, mas, por meio de um algoritmo e da validação da família e de pessoas próximas a Sabotage, a canção Neural recebeu também a assinatura do rapper.

Gerente de marketing do Spotify na América Latina, Carol Baracat explica que o projeto surgiu durante o processo de lançamento do disco Sabotage. "A gente recentemente ficou bastante próximo do selo Instituto e da família Sabotage com o álbum. E percebemos que os fãs de rap e hip hop permaneciam super apaixonados por ele, mesmo depois de tanto tempo sem novas músicas", conta.

"Mesmo depois da morte dele, ele ainda era um dos artistas mais escutados em São Paulo. E a gente sempre busca construir nossas narrativas baseadas nas histórias que os dados nos contam", explica Carol. Recentemente, um documentário com Gabriel, o Pensador foi criado pelo mesmo motivo. "A gente identificou que nos protestos no país as músicas Chega e Até quando tinham pico de streaming no Spotify, eram como um pulso do que a sociedade estava construindo naquele momento", explica.

Por isso, veio a ideia de também homenagear Sabotage. "Acabamos elaborando um projeto que não só fosse uma homenagem a ele, mas que trouxesse também alguns pilares do Spotify, como aproximar artistas e fãs e contar novas histórias e descobertas. Nesse caso, com um processo criativo totalmente inovador", explica.

A partir daí vieram os outros parceiros. "A Kunumi, que trouxe o ferramental e a expertise da inteligência artificial, o selo Instituto, o grupo RZO e a família Sabotage, que agregaram conhecimento também", lembra. Ela conta que o processo de produção foi intenso e muito rico. "Foi muito bacana juntar todo mundo".

O processo

Durante muito tempo, o trabalho ficou focado na máquina. O algoritmo desenvolvido pela Kunumi foi alimentado com manuscritos, letras e músicas. O material foi inserido nela e foram feitos ajustes para garantir que o sistema estivesse entendendo o processo criativo de Sabotage.

Depois disso, para garantir que as sentenças geradas pelo algoritmo tivessem valor, todos os envolvidos foram reunidos. Em uma sala, pessoas, como os filhos de Sabotage, Tamires e Sabotinha, e membros do RZO recebiam, a cada dez segundos, frases geradas pelo algoritmo e validavam que elas poderiam ter sido escritos por Sabotage ou não.

O processo final ocorreu em uma sala em que estava o rapper Helião, do RZO. Parceiro de Sabotage durante muito tempo, ele recebeu as sentenças e terminou a composição. "Então, foi uma cocriação entre Sabotage e o algoritmo, e Helião; depois disso que a canção vai para o estúdio", conta Carol.

Documentário

Todo o processo envolvendo a composição, a criação, a adequação do algoritmo e a própria gravação e produção da música foram registrados em vídeo para um documentário lançado pelo Spotify. "O documentário conta essas etapas, traz imagens, mostra a família participando. Eles também estavam muito próximos desse processo de criação. E o que é muito bacana é que ele consegue refletir muito bem também esse processo criativo, que foi muito rico".

O resultado agradou tanto a família quanto as empresas envolvidas no projeto. "Ficamos felizes com esse processo de disponibilizar uma história tão profunda e inovadora para os fãs de rap e hip hop", afirma Carol.

Filha de Sabotage, Tamires conta que foi possível sentir a força do pai durante o processo. "Meu pai sempre foi reconhecido na musica como um inovador e deu para sentir  ele aqui de novo, inovando", disse Tamires, em nota oficial do lançamento.

» Trecho

"O som não tem final
Em coma escuro, o dom de Deus
No submundo, contra o capataz
Cachorro pobre, querem valor
Descabelado, tendo fome, morde
Ninguém escutou, os tiros altos
Madrugada, o estopim foi tipo assim, no ódio
Eu vim do pó, não volto só
Na esquina do universo, o verso é melhor
Fiel função, Brooklin, Canão
Favela, jão, é frustração, rap a milhão
Cultura invade, não é
comum, Sabotage (na zona sul)"

Ouça a música clicando aqui.





Fonte: www.diariodepernambuco.com.br

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